Não sei se deveríamos, mas
estamos jogando, mesmo que no modo automático. Acabamos sempre culpando tal
acaso, comprometemos o ocorrido responsabilizando o destino, sorte ou azar.
Quando assumiremos que estamos no controle, à frente daquilo que nos acontece? Entre dias que se vão e os que estão por vir, vivemos como se não pudéssemos nos tornar sensatos quanto ao nosso papel ao que ocorre. Tornamo-nos sobreviventes de nossos próprios riscos, desesperados por reconhecimento, precisados de entendimento, todos em busca do idealizado, querendo satisfazer expectativas. É uma realidade nada confortável, é como se tivéssemos de completar missões sem sairmos machucados, ilesos. Passar pelo fogo sem se queimar, como se cicatrizes não fizessem parte das consequências, seriamos perfeitamente heróis em condução ao prêmio final, uma felicidade prometida como eterna, que aparentemente nos envolveria de paz.
Seria uma boa vida para todos,
mas assim como de nossas qualidades, somos senhores de nossos defeitos,
imperfeitos, se quebrando e reconstruindo a todo o momento, imperfeitos. Neste
jogo, onde todos querem vencer, quantos deixamos para trás, prevalecendo da
desculpa de que a vitória é individual. Partilhar não é mais algo tão humano,
estamos voltando para nossas necessidades individuais, realizando nossos
sonhos. Eu me sinto como um desses, que vive por aí caçando realizações,
devaneando paixões, ilusões de uma felicidade vendida como ideal. Perdemos a
capacidade de reconhecer nossos limites, de entender nossa liberdade. Não sei
se compreender tudo isso, tornará a vida mais fácil, talvez nos endureça, ou
não, tudo que nos acontece é consequência de nosso próprio grau de compreensão.
Fechar os olhos pode ser uma excelente escolha, mas é como continuar jogando
aleatoriamente e não sei se esse é um risco que devemos assumir. É fácil
culpabilizar o destino, difícil é assumir o controle da sua vida. O acaso não
deve ser usado como desculpa para infelicidade. Não renuncie sua liberdade de
escolha, jogue, mas jogo consciente da importância de seus passos, dos riscos e
das consequências de seus atos. O ato de jogar os dados é teu.